quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todo mundo tem mesmo algum tipo de deus.

tumblr_kyfhuuT9FR1qakc1ro1_500_thumb[2]O que eu queria mesmo escrever hoje é o quanto domingo vai ser importante na minha vida.

Todas as lágrimas que eu derrubei desde a confirmação desse show.

As vezes que meu coração disparou só de pensar nele.

As vezes que chorei de soluçar só de lembrar de onde ele veio e com quem ele andou.

O medo de incluir as músicas dele nos meus playlists para não parecer uma idiota chorando igual criança por aí, nos ônibus, ruas, bares… Por que não da pra explicar pra todo mundo o motivo do choro. Andar com uma camiseta > “tudo isso é por ele”

E mesmo que desse, grande parte das pessoas não entenderia.
E na verdade se só conseguisse dizer pra essas pessoas “parem de perder tempo! no mínimo pra uma vida bem vivida é 70% dela ouvindo Beatles.”

Só que ninguém mais para pra escutar nada.

E eu parei inúmeras vezes pra ouvir essa banda. Pra entender. Pra rir&chorar. Pra dedicar pra você, que é tão importante pra mim.
E vou parar de novo nesse domingo. E pararia quantas vezes fosse necessário. Por que Beatles se faz necessário pra mim. Como o alimento/ar/agua.

Você acha mesmo que pode existir alguma coisa mais Beatles nesse mundo do que o Paul McCartney?
Para um pouco também, pensa.

Sinto muito por você – de verdade, sem ironia ou sarcasmo -  que vive procurando algum sentido na espiritualidade ou religião. Mas acho que estou prestes a descobrir o sentido de tudo.

Nesse domingo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O que te deixa na chuva e te volta no tempo.

Foi extremamente difícil abrir os olhos.
Aquele cheiro não era da minha casa. Aquela não era minha cama. E com a ressaca terrível que eu estava eram as únicos duas coisas que eu queria na vida. A minha cama na minha casa.

O sofá era extremamente desconfortável, com uns pedaços de madeira rasgando o estofado. A casa tinha cheiro de coisa guardada misturado com veneno pra ratos&baratas. O ambiente tão escuro, as gotas de chuva caindo no telhado, algumas passando por ele e se acomodando num balde estrategicamente posicionado.

Apesar do raciocínio lento e a consciência pesando sem motivo algum, ou algum motivo que eu me recordasse, relacionei as gotas com a minha roupa molhada, cheia de mato e lama. Estava sem sapatos. Sem coberta. Com frio.

Um garoto dormia no outro sofá. Tão desconfortável quanto o meu. Ele estava com uma camiseta do São Paulo, nunca tinha visto desse tipo. Talvez um colecionador fanático com camisetas do tempo do meu pai. Ele não tinha cara de colecionador. Um colecionador nunca dormiria com um item precioso e raro. E eu estava forçando demais meu raciocínio lento lento com coisas sem a mínima importância.

Importante no momento era ONDE DIABOS EU ESTAVA e por que.
Fui andar pela casa. Tontura após levantar rapidamente. Cheiro de café. Achar a cozinha não foi difícil. A casa era mesmo muito pequena. Uma senhora de trajes cinzas e gastos esperava pacientemente, observando a chuva com um cigarro no mão, o ciclo do café se completar.

Milhões de perguntas de uma vez, pobre coitada. Ela me sugeriu tomar o café calmamente pra tentar lembrar de algo. Já que a maioria das perguntas ficaram sem resposta.
Eu estava em São Paulo. E isso era logisticamente impossível. Pois saí a pé da minha casa, com a intenção de ir ao bar que sempre vou e de repente lá estava eu, suja, molhada, com a maquiagem borrada no rosto em São Paulo.

Contei isso pra ela. O quanto essa situação era impossível. Ela me contou que eu estava em um condomínio em um bairro afastado de São Paulo, acho que na Zona Norte.
Voltando de algum lugar, o filho dela me achou jogada no mato, delirando sobre um rinoceronte ter me levado até lá, e depois ter sumido no córrego e me deixado sem saber voltar pra casa. Então ele me levou pra casa. E lá estava eu. Sem celular, carteira, identidade. Nada.

Mas eu sabia quem eu era. E sabia que eu torcia pro mesmo time do menino, quando ele apareceu e encostou no batente da porta, olhando curioso a minha tatuagem. Eu disse pra ele isso, que também era meu time e que a camiseta dele era sensacional. Ele deu um sorriso, assentiu com a cabeça. Comentei sobre a merda de resultado do último jogo. Ele fez uma cara confusa. Ele tinha assistido o último jogo, e não era o que eu me referi.

Dei um gole no café, que já estava gelado.
Passei a lingua pelos lábios, e senti um dente quase solto. Estava preso ainda por um fio. O dente caindo me deixou mais aterrorizada do que toda a falta de contexto da situação.
Procurei por um relógio. 8:43.
Procurei por um calendário. Não achei nenhum.
Perguntei que dia era mesmo… Mês, outubro. Mas o dia… Ela me respondeu: 13/08

De 1942.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ensaio sobre a despretensão.

 

Sou avessa a teorias.

Mas sou extremamente favorável a um estilo de vida bem mais despretensioso.
Menos compromissos. Menos crises, choros, mortes, começos e finais.

E esse mundo anda tão chato. As pessoas cada dia mais dramáticas e incoerentes. Eu já não me esforço mais em compreender e participar do teatro.

Por isso, então, me senti obrigada (apesar de ser avessa a obrigações também) a desenvolver uma teoria da idéia mais despretensiosa que já martelou na minha cabeça.

Vivem te dizendo sobre amigos, amizades, as maravilhas de ter um relacionamento estreito e sincero. Uma rede ampla de pessoas pra você ajudar e disponibilizar tempo…
Já diz a famosa frase do famoso livro: você se torna responsável por tudo aquilo que cativa.
Minha mãe diz que eu tenho o dom de cativar pessoas, traze-las pra perto, mesmo que sem querer. Lembro que eu desenvolvi isso, não é um dom natural. Sim, sou uma farsa. E cansei.
Não consigo ser nem responsável por mim. Matenho quem já cativei, com todo prazer. Por que se ainda estão por perto é por que meu amor já se sobrepôs à  minha faceta simpática.

Mas, a partir de agora, abdico futuras conquistas.

Não gosto dos humanos, não gosto do mundo em que vivo, minha natureza não é simpática e nem distribuo sorrisos ao vento.

Por isso criei essa teoria, que acabo de batizar de: não sou responsável nem por mim, muito menos por você e por quem mais acidentalmente cativei.

Agradeço se não me cobrarem satisfações e gestos de amizade. Se você me cativou, juro que tudo isso fluirá tão natural quanto a vida de um hippie bem resolvido. Sem maiores constrangimentos.