quinta-feira, 26 de maio de 2011

Está tudo bem.

“Basically, I'm for anything that gets you through the night - be it prayer, tranquilizers or a bottle of Jack Daniels. "  - Frank Sinatra.

22:00.
Feliz daqueles que conseguem dormir ao menos 9 horas. Mas se dormem tanto é porque não trabalham. Se eu não trabalhasse seria milhões de vezes pior. Abaixo da linha da pobreza em 1 mês. Não que eu esteja muito longe disso, mas trabalhando, com menos horas de sono, consigo manter uma queda mais lenta.
Ler. Escovar os dentes. Fio dental 2 vezes seguidas. Ritual dos remédios pras doenças crônicas. Cama.
Obrigações. Desde “ler” até a “cama”.
Obrigação de me distrair. Tentar parar de pensar em todos os novos problemas. E quando paro de focar toda minha recente desgraça neles, começo a me recordar dos problemas antigos e crio linhas e gráficos imaginários de como tudo aquilo se transformou nisso tudo. Me desespero por estar desesperado, no escuro e sozinho. E todo aquele sono delicioso de 15 minutos atrás sumiu completamente. Como se eu tivesse dormido num mar dos pensamentos pertubadores o necessário pra continuar pensando mais um pouco. Em tragédia.
Me consolo. Me acalmo. Nada tão grave, tem gente em situação pior, você é forte já aguentou tudo o que passou para de pensar nisso e naquilo. Dorme. Dorme. Menos de 7 horas de sono agora. DORME.

Não.

Despertador toca. Caralho, devo ter dormido umas 2 horas só. 4. Não importa, to morrendo. Como se tivesse cochilado 2 minutos.

De duas uma: ou eu vou dormir bêbado exausto ou eu vou dormir sem problemas. Ou… eu paro com essa loucura de olhar todas essas merdas insignificantes por um ângulo que parecem ter o dobro de tamanho. Duas vezes mais assustadoras do que realmente são.
Até a segunda alternativa me parece mais viável que a última.

Não sei se é uma porta que deveria ser aberta, não sei se é uma opção a ser considerada. Mas calmantes me parecem uma quarta alternativa simples, talvez. Até tentei lutar contra o sono depois deles. Pensar um pouquinho mais nos problemas. Ponderar sobre essas coisas pesando na minha cabeça. Mas tudo isso JUNTO ficou tão pequeno, mas TÃO pequeno em relação ao meu sono, que nem pareciam mais fazer parte da minha vida.

Só quero deixar claro que: me falta dinheiro, esperança, paz e até um pouco de amor. Me sobram alguns quilos, desespero e preocupações. Mas eu tenho sanidade, ainda. E vou fazer o quer for preciso pra mantê-la em qualquer situação. Posso até parecer meio louco falando assim, mas te juro cara, estou mais são e consciente do que jamais estive.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Humanidade.

De tudo que me aflige, me inquieta. Mantém minha mente distante da paz. De todos os fantasmas que me puxam os pés e atormentam meu sono.  De todos os pesadelos, conflitos, conversas. Por todos os lances de escadas que deixei pra trás, por todos que ainda terei de subir. Por todas as esquinas que dobrei e  me deparei com salvação e perdição. Por todas as vezes que me afundei em sofrimento, confortavelmente, como se fosse a única opção, um destino traçado. Por todas aquelas vezes que vi a luz no fim do túnel e por todas as outras que adentrei conscientemente as trevas que sempre me amedrontaram. 
Por todos esses eventos que me transformaram e me resumiram cada vez mais em um ser humano. Desses com a rotina instaurada até na hora do lazer. Desses que temem o desconhecido e criam portos seguros em abraços antigos. Que protegem o território que não lhes pertence, contra pessoas que não estão o ameaçando. 
É o que me faz mais triste e colabora com essa sensação de half-empty-glass. Um coração tão a frente dessa mente cheia de vícios e manias -  friamente humanos. As vontades estúpidas que não consigo negar-me o prazer de satisfazê-las e as tentações impossíveis, que vão além do medo de parar de ser tão humano e um pouco mais bicho.
Nascer humano em pleno século XXI é realmente uma lástima.

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

On with the show.

Olha, o que quero te dizer é o quanto essa terça-feira foi mágica.
No começo do dia, eu era só uma fagulha do que eu costumo ser durante a semana. Juro que tento ser produtiva, dormir cedo, maneirar no álcool, ir à academia e treinar seriamente. E eu consigo.
Mas segunda já se passou arrastando, eu já passei a segunda rastreando todas as manifestações na rede dos caras do Crüe, dos amigos que estariam presentes; e me manifestando. Treinei mal, fiquei com o maxilar travado o dia todo, comi pouco, tentei dormir e obtive êxito por umas 3 horas. O caminho até São Paulo foi suave exceto por aquela sensação de vida. Quase não lembrava dela. Foi diferente no Paul McCartney. Era a sensação de antes do beijo no cara por quem você se apaixonou, era a sensação de estar a caminho de uma sexta-feira cheia de planos diabólicos aos 19/20 anos.
Mötley Crüe é luxuria, é lascivo, é inconsequente. É o lado bom de ser um porra-louca-inconsequente. É matar a garrafa de Dreher ouvindo Live Wire. E berrar as estrofes de Shout at the Devil num carro a 130 por hora.
As luzes apagadas e os primeiros acorde de Wild Side. 2 segundos depois eu entendi completamente o sentido da vida, a importância e beleza de tudo, das pessoas do meu lado, dos 4 caras no palco. Tudo lindo, tudo perfeito, o universo conspirava pra minha felicidade.

E eu fui feliz mesmo, demais, extremamente.

Mas eu não lido bem com a última música, com o abraço de despedida, com a volta pra casa, com as recordações que são apenas… recordações. Eu não lido bem com o resto da semana e a quarta-feira foi um lixo.
Isso tudo pode ser resumido mais ou menos assim: você diante do abismo, enorme, daqueles que não se vê o fim, você pulando do abismo, toda a adrenalina do mundo passeando pelo seu corpo, todo o vento e liberdade, a leveza. 
A triste e dolorida queda.
A tua cara batendo de frente com o chão duro de realidade.
Home Sweet Home.

Crüe, obrigada eternamente pela 1 hora e 30 minutos de queda livre.

Mötley Crüe
Credicard Hall 17/05/2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

40 literary terms you should know.

“38.   Ubi sunt: At some point in their lives, everyone reads a literary work about the transience of mortality and how people are really just ants, man, ants in this big cosmic soup. At some point in their lives, everyone reads an ubi sunt, they just didn’t know there was a Latin phrase for it because that language is dead.”

 

Tudo o que um (suposto) escritor ignorante - como eu -  faz, mas não sabia que tinha nome, aqui.
O meu preferido acima.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

24 Horas.

“Well I hear that you were lookin out to take me home
And I hear that you can handle it and you're not scared
Have you heard about the pictures on my bedroom wall?
Baby nothin else has ever been as hard as love.”

Aperto de mãos. Mãos nas coxas. Coxas entrelaçadas em outras. Como no filme espanhol.
A vida em frames. Uma noite apenas de vida, numa vida toda.  Sabe-se lá quantos anos virão, 20, 30, 50. Esperou as horas que estavam por vir. 24. Um dia de sol pra secar o chão, as folhas, as roupas no varal, as almas encharcadas de solidão.
Sentia-se sozinha em meio a muitos, mas não naquele instante. Estava diante de algo tão grande e especial que se sentia menos, um desperdício de vida. E era mesmo. Lutava pra passar sem ser notada, contrariava toda ideia genial para não ser responsável por nada notório.
Gostava de sorrisos, mas odiava pessoas. Então achou uma pessoa que gostasse. E que parecia gente mesmo, um humano. Dono de um sorriso perfeito. Daqueles sorrisos tristes, de pesar e aflição.  Do tipo que ela conhece bem. Pensou que poderia cuidar daquele humano como se fosse um bichinho de pelos macios, que esquenta a cama enquanto ela se banhava em noites frias. Pensou que poderia alimentar, levar pra passear, dizer a quem perguntasse que aquele era seu.
Deu-se início então a uma luta contra o tempo. 24 horas era o que tinha para ser bela, inteligente, sagaz, bem humorada, com algum tipo de luz que ilumina a escuridão e uma escuridão que ofusca toda luz – sua definição de pessoa perfeita. A pessoa que ele era. Como uma fagulha de vida seria capaz de incendiar um mundo todo?

Permaneceu em silêncio. Sem luz nem escuridão. Cama e banho frios. Sem sorriso de felicidade nem de tristeza. E concluiu então, que pra tanta insignificância, essa vida tão insignificante bastava. Injustiça seria, se fosse o contrário.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Você ainda vai sair dessa completamente louco.

O dinheiro ainda vai te levar à loucura.
Senão o dinheiro, o amor. Ou a falta dele.
É inevitável. Você ainda vai sair dessa completamente louco. Com o desespero nos olhos, desespero por toda a parte.
Complicado ser jogado nessa insanidade toda, ser preparado por pessoas despreparadas. Lutar com todos os inimigos imaginários. Imaginados por outros. Os inimigos reais se fazem de amigos. Excelentes atores e comediantes.
Tanta coisa passa pela sua vida e te sobra só saudade. A lembrança doce de tempos felizes. O mais incrível é que com a idade pesando e te transformando cada vez mais na pessoa que você não gostaria de ser, as lembranças mais doces são dos tempos mais amargos. Das dificuldades. Daquilo que fez um marco na sua linha do tempo. Foi uma mudança dolorida, um tapa na cara. Mas é a última lembrança que possui de como era. De como era feliz. Ou menos infeliz.
O mundo infinitamente preocupado em compartilhar tanto amor, tantas fotos novas nas redes sociais. Pintar pro mundo como dentro de você habita a paz, plenamente. Matam os terroristas, te livram de todo o mal, amém. Mas a sua linda saga atrás do dinheiro, do falso amor, da falsa esperança é resumida no epitáfio: Grande pai, filho e irmão. Honesto e trabalhador. Porém, morreu com um olhar de despero, mesmo olhar do terrorista e do pacifista.