quinta-feira, 30 de junho de 2011

Fim de Junho.

“And so its over
Your fantasy life is finally at an end
And the world above is still a brutal place
And the story will start again”

Você pode ser responsável pelas minhas piores crises existenciais, por ser fraca quando deveria me armar e lutar, e pior: POR SER A MAIOR AUSÊNCIA NA MINHA VIDA.
Você pode até querer contaminar todas as frutas ao redor com toda sua podridão.
E eu posso me sentir culpada toda vez que eu desejo do fundo de tudo que eu sou que você desapareça da minha vida e nunca mais ligue nem pra dizer se está vivo.
Tem tanta coisa especial e construída com um amor tão sincero na minha vida, que você pode ser esse monstro aí que você montou e me assusta desde criança. Por que perto de você eu sou gigante. 
Precisei de todos esses anos, mas agora sei que sou capaz de gritar na sua cara se necessário for: posso ter medo e ódio de todas as criaturas desse mundo selvagem, mas de você eu só tenho pena. Pena do momento que você se descobrir tão insignificante na vida de quem deveria essencial. 
Por sua causa eu parei, pelo menos por ora, com essa angustia boba de envelhecer. Sinto até uma ponta de orgulho. Orgulho de, até então, estar fazendo tudo diferente de você. De até então ser o oposto, pensar completamente diferente do que você me impôs. E por ser capaz de amar, mesmo sem nunca sentir isso aí vindo de você. Por esse insight mais que sagrado, eu lhe agradeço. E olha só que lindo: eu te compreendo. Sei que você foi o melhor que conseguiu ser no momento. Ridículo que seu melhor seja tão pouco, mas no fim de tudo isso, o que me deixa feliz é que por te ter como exemplo eu me recuso a descer tão baixo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dylan Thomas


E a Morte Perderá seu Domínio

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.

“Dylan Thomas morreu de alcoolismo, aos 39 anos. Consta que, no dia de sua morte, já com sérios problemas de saúde, ele teria ingerido 18 doses de uísque.” (fonte: wikipédia)

brandt_dylan_thomas

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mr. nice guy.

E as pessoas tem mesmo a insistente mania de viver equilibrando tudo e todos pra que o desfiladeiro não desabe de vez. Fazem isso por você o tempo todo. Te dão consultas de graça, oferecendo a mais pura psicologia barata, tirada de páginas e páginas de livros de auto ajuda. Te pagam a cerveja no bar, quando te veem contando os níqueis. E por aí vai, desses exemplos toscos, até gestos realmente gigantes, dignos de Madre Teresa e Lady Di.
Mas eis o fato: pra maioria das pessoas é difícil como o inferno repousar suas cabeças no travesseiro sabendo que poderiam ter feito algo por alguém e nada fizeram. Não que do nada bateu um ataque “mr. nice guy” vindo direto do coração ou que ela está esbanjando dinheiro, cigarro e amor. É mais que um carinha chamado Jesus repetiu umas mil vezes, num livro chamado Bíblia, que você TEM que amar os semelhantes, e os diferentes também. E amar, amar e amar mais pouquinho. O amor salva mesmo, agree. Mas nesse caso o que está te salvando não é o amor que a pessoa que te ajudou tem por você e pelo mundo, e sim o amor que ela tem pelo seu precioso sono e consciência tranquila.
A parte bonita disso é que assim que me dei conta dessa ideia muito básica, digna de um serzinho de 9 ou 10 anos, ficou fácil perceber que algumas outras pessoas, realmente especiais e iluminadas com alguma coisa bem hippie e celestial e whatever te salvam sem perceber que você é um desfiladeiro desmoronando. Te salvam sem ter a mínima vontade de fazê-lo. Te salvam porque vivem fazendo isso. Tem o dom natural de equilibrar o mundo todo em volta delas. Na maioria das vezes a vida dos mesmos é uma casa pegando fogo descontroladamente com uma pessoinha assustada lá dentro. E é por isso que dão conselhos sem moralismos embutidos, te pagam a cerveja porque gostam da sua companhia, te dão presentes lindos como aquele sorriso único num dia de merda.
Pra todos as pessoas na minha vida que se comportam assim, e não fazem a mínima ideia. Pra todas as pessoas assim nesse mundo que eu nunca vou conhecer; desejo que os bombeiros cheguem logo e que vocês consigam sair da casa em chamas sem queimaduras graves.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

30 day book Challenge.

Eu amo esses desafios, admito.
Ó Tati Pinheiro, fiz também!

Day 01-Your favorite Book
Ou O dia do Curinga ou Misto Quente. Nunca consegui me decidir.
 
Day 02-Least Favorite Book
Sr. dos Anéis, maybe.

Day 03-A Book that completely surprised you (bad/good)
Vergonha dos pés - não me surpreendeu pela autora, Fernanda Young, nunca gostei muito dela, mas porque pela primeira vez na vida eu terminei um livro e pensei “tivesse dado essa estória pra mim, com os mesmos personagens e teria saído no mínimo 2 vezes melhor.”
 
Day 04- A Book that reminds you of home
Mafalda #3
 
Day 05- A Non-fiction book that you actually enjoyed
Christiane F.

Day 06- A Book that makes you cry
Heavier than Hell – o fim desse livro é o típico “todo mundo já sabe o final”, mas foi escrito de uma forma tão linda, que por uns minutos até simpatizei com a Courtney Love.

Day 07- A Book that’s hard to read
O evangelho segundo jesus cristo - se tiver alguma coisa mais chata que Saramago, por favor, não me apresente.

Day 08- An unpopular book you believe should be a Best-Seller
Penso que os unpopular books são mil vezes mais charmosos por serem unpopular. Prefiro eles nessa condição.

Day 09- A Book you’ve read more than once
Pequeno Principe. Umas mil vezes. Choro em todas.
 
Day 10- The first novel you remember reading
A mulher que matou os peixes - Clarice.
 
Day 11- The Book that made you fall in love with reading
Carrie, Christine, The Shining ou O Exorcista. Foi o ano que eu descobri essas pérolas do horror na biblioteca da escola. 
 
Day 12- A book so emotionally draining you couldn’t complete it or had to set aside for a bit.
Mrs. Dalloway. Virginia né. Depressivo sempre.
 
Day 13- Favorite childhood book
Again, Mafalda #3.

Day 14- Book that should be on hs/college required reading list
Os Fernando Pessoa da vida.

Day 15- Favorite book dealing with foreign culture
"Maya" do Jostein.

Day 16- Favorite book turned movie
"High Fidelity” do Hornby. Livro e filme deliciosos. John Cusack perfeito no papel.
 
Day 17- Book turned movie and completely desecrated
Algumas adaptações do S. King, tipo, A Tempestade do Século e Apanhador de Sonhos. Os livros são geniais, já os filmes....pfff.

Day 18- A Book You can’t find on shelves anymore that you love
TENHO que dizer, de novo, o meu amado Mafalda #3  da capinha vermelha. Perderam o meu, nunca mais achei.
Olha que tristeza que eu fico só de lembrar dele.

Day 19- A Book that changed your mind about a particular subject (non-fiction)
Please, Kill Me. Tudo que você pensa sobre o punk rock é porra nenhuma, se você não leu esse livro.

Day 20-A Book you would recommend to an ignorant/racist/closed minded person
A Casa dos Budas Ditosos - João Ubaldo Ribeiro.

Day 21-A guilty pleasure book
Bridget Jones. HAUAHA minha parte futilidade mulherzinha. Sorry.

Day 22-Favorite Series
Ereções, Ejaculações, e Exibicionismos do my dear ol' Hank.

Day 23- Favorite Romance Novel
Ask the Dust – Fante ou Deus, como preferir.
 
Day 24 - A Book you later found out the Author lied about
ahn?

Day 25-Favorite Autobiographical/Biographical book
Heavier than Hell, again.

Day 26-A Book you wish would be written
Algum de minha autoria, po.

Day 27- A Book you would write if you had all the resources
Um On the Road mais hard rock e cheio de laquê.

Day 28- A Book you wish you never read
Tive o desprazer de estudar em uma escola onde fomos obrigados a ler o primeiro Harry Potter.

Day 29- An Author that you completely avoid/hate wont read
Paulo Coelho com suas babaquices piegas.

Day 30 - An Author that you will read whatever they put out
Charles Bukowski, meu coração é eternamente seu.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um pássaro.

Naquele dia quis ser quem realmente era.
Sentir a dor e alegria de ser quem era. Não quis assumir culpas nem se orgulhar de méritos, desabafar, passar sua palavra adiante.
Queria se encher de tudo que tinha e tudo que passou e trancar com ela.
Queria ser o pássaro que voa solitário em noites chuvosas ou debaixo do sol quente. Tem um proposito em toda e qualquer atitude. E não se sente obrigado nem tentado em compratilhá-lo com o mundo. Só sabe ser pássaro. Não que seja pouco voar atrás de alimento e de uma vida toda. Mas é só isso que um pássaro deseja ser. Um pássaro. Não tem ambições nem veste máscaras ao sair do ninho.
Ela até preferia ser um pássaro, diferente dele, que não deseja nem em seus piores pesadelos ser um humano.
Pássaro tem pesadelo?
Não sabia.
Sabia dos dela. Sabia que tinha pesadelos, depressões, tristezas, consultas agendadas pro ano todo. O pássaro não. Fácil ser pássaro. Que não lida com crises emocionais, não lida com nada realmente. Só com o ciclo básico da vida. Comer, voar, procriar, dormir, morrer.
Qualquer bicho em situação extrema, desafiado por quaisquer necessidade básica, se comporta a fim de suprir aquilo. O pássaro sim. Ela não. Fingia não ter fome porque o momento era inconveniente, disfarçava a vontade de acasalar com o macho da espécie por medo de uma rejeição. Instinto se sobrepõe a qualquer medo, a qualquer rejeição. Não há timidez, nem momento impróprio. Há um ser vivo com uma certa necessidade e desesperado por supri-lá. Há um ser desesperado por vida. Fugindo da morte.
Ela se sentiu pássaro também.
Longe do bando. Sem memórias do ninho. Fugindo da vida. Desesperada por morte.
Errado. Errando. Chega.