quarta-feira, 6 de julho de 2011

Eu sou o que eu sinto.

Sua vida é uma rotina, acostume-se com isso e supere o asco que todos nós desenvolvemos em cima da palavra. “Odeio rotina” então você odeia viver. Viver é uma rotina. E eu fico enfiando na minha cabeça todo dia quando eu acordo e coloco os pés no chão frio, o quanto eu tenho sorte por ter isso. Nunca dá certo, ao meio dia me sinto tão vazia e sem sentido que estou desejando abandonar e dar uma de Alexander Supertramp ou Evelyn McHale. 
Há um tempo eu tinha que comer, dormir (bastante, pra pensar menos) e quando acordada achar uma solução pra minha vida ou um jeito de morrer. Tentei cerveja, música, livros, TV, sexo, amor e amigos. Continuei na mesma. No nada.
Agora acordo, trabalho, tento ser saudável, aí me estrago por que odeio a ideia de fazer parte de algum movimento pró-saúde ou whatever, e tenho mais insônia do que durmo. Rotina antes, rotina agora. Saí de uma e entrei em outra. Você está na mesma, seus pais também, há uns 20 anos. Imagine seus professores ou colegas de trabalho com aquele orgulho fingido do “estou nessa instituição há mais de 10 anos”. Ok meu amor, estou nessa vida há quase 30 e quero mudar minha situação quase todo dia.
O que ameniza as coisas pra mim é que eu sou o que sinto, não minha rotina.
Eu não sou o que eu faço. Eu sou o que eu sinto. E ontem quando eu vi o jornal com tanta morte e gente desequilibrada, eu me senti bem por estar equilibrando tudo e mantendo do melhor jeito que essa cabeça idiota consegue imaginar. Hoje quando vim trabalhar por um caminho diferente ouvindo Bee Gees – caralho, quem ouve “How Deep Is Your Love?” indo trabalhar? – eu me senti bem de novo, por ter opções. Tenho opções saindo pelas orelhas, eu só escolhi essa rotina agora, e escolhi não sair disso por enquanto. Mas eu posso, se assim quiser.
Faça como eles, concorde com eles, até beba na mesma mesa. Continue vivo. Mas faça tudo por que você decidiu assim. Como as coisas estão agora tem, obrigatoriamente, que ser consequência dos SEUS atos.