sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Não. Não está tudo bem.

“She lived like a murder
How she'd fly so sweetly
She lived like a murder
But she dies
Just like suicide.”

Não senhor.
Me recuso.
Não escondo mais tristeza e depressão. Nem felicidade. Se ganhar na loteria amanhã posto em caixa alta no facebook, sério.

“Tá tudo bem querida?”
NÃO. Esta tudo horrível, pior impossível.
"Quais os planos pro fim de semana, gata?”
MORRER. E os seus?

Não quero meu defunto com cara de vivo e sereno. O caixão vai ficar aberto mesmo com esse rosto todo deformado dos acidentes, da vida.
Eu amo repetir, citar, parafrasear e escrever por aí “because you have to die a few times before you can really live”. Bukowski sabia das coisas. E acontece com todo mundo: pequenos óbitos seguidos de ressurreições homéricas. Aconteceu comigo, amigos, mil vezes. E vocês nunca souberam (suspeitaram?) de nenhuma. Escondi, fingi – que vergonha.

Felizmente estou passando pela fase super-sincera da minha vida e vos digo: estou nesse momento juntando caquinhos por aí. Invisíveis, quase. To off, me retirei de cena, me resguardando pra grande noite. Grande reestreia.

Boa sorte. É o que desejo. Ressurreição após 7 dias. E olha, a vista daqui, do mundos dos mortos, nem é de todo mal.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amarga.

“It's okay
Had a bad day
Hands are bruised from
Breaking rocks all day

Drained and blue
I bleed for you
You think it's funny, well
You're drowning in it too.”

É desse jeito que eu odeio escrever.
Por necessidade, não por inspiração.
Escrever pra não morrer sufocada, escrever pra desengasgar.
Eu sou impaciente e consciente da minha efemeridade. Gostaria, sim, de ter mais tempo. Eu destruo o físico, o visível, e faço juras de amor ao mundo - para que este me conceda mais tempo. Seria lindo se no meio de um tornado, quando alguém me dissesse “calma, de tempo ao tempo, tudo passa e melhora com o tempo” eu conseguisse assimilar a informação e utilizá-la. Tipo os monges e instrutores de yoga.
Eu mantenho a pose, o sorriso. Choro quando é inevitável e grito por dentro, um grito que se saísse seria ouvido pela cidade inteira: “QUE TEMPO CARALHO? QUE VOCÊ SABE DE TEMPO SEU HUMANO EFEMERO, ESTÚPIDO?”
Sabe o mesmo que eu – que não importa quanto você tem, sempre é pouco. Quase nada.
E nessa posição de humana estúpida em que me encontro, eu precisei de bastante TEMPO pra assimilar que gastei muito dele sendo, além de estúpida, má. Não com outros, pior ainda, comigo mesma. Faltei com sinceridade, faltei com amor, faltei com compreensão. É estranho quando você se dá conta de que andou por caminhos errados tanto tempo, e andou muito. Mas é lindo quando você começa a fazer o caminho de volta, a redescoberta. Rebuscar tudo que te tornava melhor, mas você simplesmente descartou pelo caminho, como as migalhas de pão da fábula.
Juro que até achei o motivo ideal pra fazer a conversão. Acontece que quando você acha que já presenciou toda maldade que existe no humano pelas novelas e filmes, esses seres desprezíveis fazem da sua vida um roteiro de dramalhão mexicano. E tipo a Paola Bracho, a Nazaré Tedesco, eles fazem o possível, o mais baixo, o INACREDITÁVEL pra te colocar no mesmo ponto de antes, de quando você era como eles: HORRÍVEL E INSIGNIFICANTE.
Se você evolui, lê bons livros, sai com boa companhia, da e recebe amor, tenta ser agradável e verdadeiro com as pessoas, conquista suas coisas de maneira honesta, esses filhos da puta com uma pedra no lugar do coração vão trabalhar feito o diabo pra te colocar na estaca zero. Pra te fazer sentir ódio, pra fazer você se vingar.
E eu não posso me desculpar por isso, não posso e não vou me desculpar por dar ao mundo meu melhor.
E você humano evoluído, retribua com amor toda essa merda, curta sua depressão, desacredite do mundo, da vida, do amor. Mas nunca duvide de você. Não regresse. Te faltará tempo pra continuar e chegar onde estavas.
A verdade sempre aparece, nem que seja um lance meio Van Gogh depois da morte. Os outros desprezíveis como os que te fizeram mal se encarregarão de vingar seu infortúnio. Graças a deus, ou não, quanto mais tarde a vingança, mais delicioso é o prazer de saboreá-la.

SIM, eu estou extremamente amarga. Alguém coloque bastante açúcar, pois estou intragável.