terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem tempo para Melancholia.

- E sabe que acontece? Eu não gostei de Melancholia. E acho, sinceramente, que o Von Trier deveria nesse minuto estar engraxando os sapatos do David Lynch ou Tarantino. Me crucifique, se for o caso. Mas não me venha com fim do mundo, Kirsten Dunst-peitos-de-fora sofrendo mais que a África inteira e diálogo nenhum que me ajude a suportar tudo isso.

- Eu acho que você está sendo superficial em sua análise.

- Superficial está sendo você, que não saiu do lugar confortável que é o culto ao pseudo cult para ouvir três palavras do meu discurso. Que, aliás, nem de reflexão necessita, só atenção. Não estou te distraindo com imagens, sons, peitos de fora e gente morrendo. Estou te dando minha opinião mais verdadeira possível e te juro, não li nada disso na internet ou na Bravo.

-Mas e a maquiagem, figurino, fotografia, o Globo de Ouro…?

-Mas e o tapa na minha cara que desperta do sono profundo? MAS E A PORRA DO TAPA NA CARA? Só se for pelos peitos da Kirsten Dunst, silicone…só pode.

Superficial está sendo você, dando share infinito no que os outros postam e pensam e fazem. Compartilha tudo, ‘nossa que genial, aposto que ninguém nunca viu, ouviu ou leu isso’.

Passa pra mim Clarice, e aquela frase inédita do Pequeno Príncipe. A foto do bebê abortado feito de massinha, o cachorro esculhambado achado numa rodovia ano retrasado, as crianças passando fome vs. Steve Jobs. SHARE infinito. Cadê, por deus, a ferramenta CREATE no cérebro de vocês? Ou SEARCH, ou GO FUCK YOURSELF AND LEAVE ME ALONE.

Faz isso por mim: me dê a verdade, mastigada ou não. Me dê o cru. Preciso de inspiração e ver a beleza nisso tudo, vocês tem coração aí, usem-no. Que de belo há no manipulado? Preciso sair do MEU lugar de conforto, e estou nessa de buscar algo grande, que eu possa me lembrar depois. Medo da morte, da velhice, do anonimato, da frustração? Medo de tudo isso. Medo de nada disso. Precaução, talvez.

Assisti Into the Wild pela nona vez e me impressionei como se fosse a primeira. Não por querer o estilo de vida do Supertramp ou qualquer outro, e sim por querer VIDA, apenas.

Se o mundo estivesse mesmo acabando até me daria o direito a devaneios e Melancholias e ao sono profundo. Mas o que mais tem pela frente é mundo, todo bagunçado e com camadas cobrindo camadas, que cobrem outras e outras. E dão a lugar algum.

Me dou o direito então de dar um share no Thoreau, e no Supertramp e em quem mais concordar:

“rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me truth.”

 

Minha cabeça está a mil, meu terapeuta disse que penso rápido demais e isso atrapalha meu sono, tenho um conto por escrever que considero meu feito de outubro, e cá estou perdendo meu tempo espalhando ódio e intolerância no blog.

Não dê share nisso. Grata.